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Grow reduz operação e tira patinetes de 14 cidades no Brasil

A empresa também anunciou que as bicicletas da Grow estão temporariamente fora de circulação; segundo fontes ouvidas pelo Estado, falta de capital, disputas internas e problemas de mercado afetaram momento da empresa

A startup latina de mobilidade Grow, resultado da fusão entre a mexicana Grin e a brasileira Yellow, anunciou que vai reduzir suas operações no País. A partir desta quarta-feira, 22, a empresa vai encerrar o serviço de compartilhamento de patinetes elétricos em 14 cidades - os veículos estarão disponíveis apenas em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. Além disso, a companhia vai interromper temporariamente o serviço de compartilhamento de bicicletas em todo o País, para um processo de "checagem e verificação das condições de operação e segurança".

Em comunicado distribuído à imprensa, a Grow também afirmou que fará demissões, mas se negou a fornecer um número de funcionários e parceiros que serão cortados - em várias cidades, a empresa remunera profissionais que recolhem e recarregam a bateria dos patinetes. "Planejar essa reestruturação nos colocou diante de decisões difíceis, porém necessárias para aperfeiçoar a oferta de nossos serviços e consolidar a nossa atuação na América Latina", disse o presidente executivo da empresa, Jonathan Lewy, em nota.

O anúncio da redução das operações da Grow é o segundo baque no mercado de micromobilidade no Brasil. Na primeira quinzena de janeiro, a americana Lime também anunciou que iria encerrar seus serviços em toda a América Latina, com a justificativa de cortar custos - analistas estimam que a companhia teve prejuízo de US$ 300 milhões no ano passado. Mas talvez seja cedo para decretar que este seja o fim do setor de patinetes compartilhados. Segundo fontes ouvidas pelo Estado, a reestruturação da Grow está bastante relacionada a problemas da própria empresa, como falta de capital e disputas internas sobre hierarquia e visão de futuro.

Os patinetes deixarão de operar nas seguintes cidades: Belo Horizonte, Brasília, Campinas (SP), Florianópolis, Goiânia, Guarapari (ES), Porto Alegre, Santos (SP), São Vicente (SP), São José dos Campos (SP), São José (SC), Torres (RS), Vitória e Vila Velha (ES).

Tropeços
Criada em janeiro de 2019, a Grow surgiu a partir de duas empresas promissoras: a mexicana Grin, que espalhou seus patinetes pela América Latina, e a brasileira Yellow, fundada em abril de 2018 por Eduardo Musa, ex-presidente executivo da Caloi, e dois veteranos da tecnologia de mobilidade - Ariel Lambrecht e Renato Freitas, cofundadores do primeiro unicórnio brasileiro, a 99. Em seus primeiros aportes, a Yellow levantou quantias significativas (US$ 9 milhões em investimento semente e US$ 63 milhões na primeira grande rodada de investimentos), o que fez a empresa ser avaliada como "futuro unicórnio" - status mantido após a fusão latina, uma operação que envolveu US$ 150 milhões.

Mas essa promessa não se concretizou: segundo apurou a reportagem com pessoas próximas à empresa, havia a expectativa de que uma nova rodada de aportes acontecesse em meados de 2019. Em abril do ano passado, o Estado chegou a noticiar que a Grow negociou um aporte de US$ 150 milhões, liderado pelo grupo japonês SoftBank - procuradas pela reportagem, tanto a startup como a empresa de Masayoshi Son disse que não comenta o assunto. O aporte levaria a avaliação de mercado da Grow para cerca de US$ 700 milhões. As negociações foram frustradas por divergências sobre números estratégicos, disseram as fontes, o que levou a uma descapitalização da Grow.

Visões diferentes sobre o futuro da empresa também pesaram: desde o início, a Grin apostava no negócio de patinetes, enquanto a Yellow pretendia usar o serviço de bicicletas, mais barato, como porta de entrada para novos usuários. O alto custo de manutenção das magrelas e as disputas internas entre mexicanos e brasileiros também pesaram - após a fusão, a Grin deteve maior poder no conselho de administração da companhia.

Segundo as fontes ouvidas pela reportagem, havia "ciúmes" e indefinição no organograma da empresa, até pela representatividade de São Paulo e Rio de Janeiro como principais mercados de patinetes na América Latina. As disputas levaram à saída de Lambrecht do dia-a-dia da empresa - a assessoria de imprensa da Grow informou ao Estado que o executivo é apenas "fundador e acionista" da companhia.

Dessa forma, a startup ficou sem nenhum dos fundadores da Yellow envolvido na operação - Freitas e Musa, por sua vez, já não são mais acionistas da empresa. Sobre os temas acima, a Grow disse que a "reestruturação é uma estratégia da empresa e uma necessidade do mercado, não se baseando em questões de liderança."

Dificuldades
Outros fatores de negócios também influíram para a crise da Grow, como o fato de que os patinetes ainda têm alto custo para muitas pessoas - uma corrida de dez minutos custa em torno de R$ 8. Além disso, há a difícil manutenção, com peças muitas vezes importadas, e o fato de que boa parte dos veículos que chegaram às ruas brasileiras não estavam preparados para o compartilhamento urbano. As bicicletas também sofreram com o mesmo problema, com o agravante de que sua margem de lucro era bem mais baixa. Por conta disso e também pelo poder exercido pela Grin dentro da empresa, as fontes ouvidas pelo Estado não descartam a hipótese de que o serviço de bicicletas seja desativado definitivamente. "Ainda não há previsão para o retorno do serviço", informou a startup. "Estamos em busca de parcerias públicas e privadas para fortalecer e expandir sua operação."

Aposta da empresa para sanar esses problemas e baratear sua operação, a fábrica na Zona Franca de Manaus ainda não saiu do papel - o plano inicial era que a linha de produção entregasse as primeiras unidades no começo de 2020, mas, questionada pelo Estado, a Grow disse que está avaliando como seguirá com o projeto. "Nosso foco é na reestruturação na América Latina", afirmou a startup.

Também pesou o crescimento acelerado da empresa, que saltou de 4 para 17 cidades brasileiras no intervalo de um ano, entre dezembro de 2018 e o mês passado. Segundo fontes, a expansão não levou em consideração características próprias de cada local, como relevo, demanda e até poder de consumo da população. "Cada cidade tem de ser pensada com um projeto próprio, com personalização, não adianta chegar com uma única solução, já pronta", afirmou um analista que preferiu não se identificar.

Por fim, a falta de regulamentação sobre o uso de patinetes gerou crise de imagem para o setor - em julho, a falta de diálogo entre autoridades e startups levou à apreensão de patinetes na capital paulista, em uma movimentação com a qual a Grow bateu de frente com a Prefeitura local.

Volume de aportes em startups cresce 80% no País e chega a US$ 2,7 bi em 2019

Segundo pesquisa realizada pela consultoria de inovação Distrito, foram realizadas 260 rodadas de investimentos em empresas de tecnologia do País no ano passado; setor de fintech lidera em quantia e quantidade de cheques

O ecossistema brasileiro de startups registrou recorde no volume de investimentos recebidos em 2019: segundo levantamento da consultoria de inovação Distrito, as empresas de tecnologia do País receberam US$ 2,7 bilhões em aportes no ano passado. É um crescimento de 80% na comparação com 2018, quando houve cheques que totalizaram US$ 1,5 bilhão.

Ao todo, 260 rodadas de investimento foram realizadas na temporada passada, de acordo com números que fazem parte de estudo revelado com exclusividade ao Estado. O número de aportes cresceu 8,3% na comparação com a temporada de 2018, mas não bateu recordes - em 2017, aconteceram 263 investimentos no País, totalizando US$ 905 milhões. "Há uma evolução maior do mercado nacional e também uma maior liquidez no mercado global. Isso tudo beneficia os investimentos", avalia Gustavo Gierun, cofundador da Distrito.

Responsável por ao menos dez cheques em startups brasileiras no ano passado, incluindo os unicórnios Gympass, QuintoAndar e Loggi,, o grupo japonês SoftBank surge como fiel da balança desse crescimento. Segundo análise da reportagem, as rodadas que contaram com a participação da empresa movimentaram cerca de US$ 1,3 bilhão, respondendo por quase metade do volume de aportes registrado em 2019.

O cenário deve ser diferente neste ano, depois dos problemas apresentados por WeWork e Uber, duas das principais apostas do SoftBank no exterior - a asiática já admitiu que fará menos investimentos no País em 2020. Na visão de Gierun, isso não necessariamente será um problema: "o mercado tem se sofisticado nos últimos anos e atraído cada vez mais investidores estrangeiros", avalia.

Fintechs lideram em quantidade e volume de aportes
Segundo o levantamento realizado pela Distrito, as fintechs (startups de serviços financeiros) foram o setor que mais recebeu atenção dos investidores no Brasil. Foram ao todo 62 investimentos, que somaram US$ 935 milhões - entre eles, estão os US$ 400 milhões da rodada que levou o Nubank a ser avaliado em cerca de US$ 10 bilhões.

O crescimento do segmento também chama a atenção: em 2018, as fintechs brasileiras receberam US$ 338 milhões. O salto foi de 276%. "É um setor que está sofrendo uma revolução intensa, que deve aumentar nos próximos anos", afirma Gierun. "Novas regulações, como open banking, pagamentos instantâneos e cadastro positivo, também abrem espaço para que startups disputem de igual para igual com os grandes incumbentes. Há muitas oportunidades."

Em segundo lugar no que diz respeito a setores, ficou a área de HR Tech (startups de recursos humanos), com total de US$ 344 milhões - desses, US$ 300 milhões foram destinados à Gympass, empresa que oferece um serviço corporativo de atividade física. Completando o pódio em volume de investimentos, está o setor de startups de imóveis, que receberam US$ 335 milhões em aportes. Novamente, o valor foi desbalanceado pelos aportes em duas gigantes do setor: Quinto Andar (US$ 250 milhões, em rodada liderada pelo SoftBank) e Loft (US$ 70 milhões, em aporte liderado pelo fundo do Vale do Silício Andreessen Horowitz).

A maioria dos investimentos realizados no País, porém, está longe da casa das dezenas ou centenas de milhões - apenas 11 investimentos aconteceram após a Série C, jargão do setor que identifica aportes realizados costumeiramente em empresas já maduras.

Segundo o levantamento da Distrito, 87 aportes foram realizados em capital-semente, quando a startup ainda está em estágio inicial de desenvolvimento. Normalmente, são cheques avaliados entre R$ 500 mil e R$ 5 milhões. Outros 40 investimentos foram realizados na fase de Série A, quando a empresa já começou a amadurecer seu produto. Além disso, 38 investimentos foram realizados em fase pré-semente, quando a empresa ainda está em estágio embrionário.

(Fonte: Bruno Capelas) - 29/01/2020
FMI AFIRMA QUE POLÍTICAS DOS EUA COLOCARAM INDÚSTRIA DE TECNOLOGIA EM RISCO

Protecionismo norte-americano e guerra comercial com a China afetaram cadeias produtivas globais, e ainda são fatores sérios de risco para o crescimento em 2020.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou hoje, 20,
um relatório sobre as perspectivas econômicas mundiais. Nele, afirma que há mais motivos para preocupação do que otimismo quanto aos rumos da economia global, cujo crescimento foi revisto para baixo.

Um dos riscos apontados como mais proeminentes é o protecionismo promovido pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos. Conforme a análise do fundo, o aumento recente de tarifas de importação com seus parceiros de comércio internacional “abalou o sentimento negocial” e contribuiu para freadas “cíclicas e estruturais” em muitos países ano passado.

Tal protecionismo, cujo melhor epítome seria a guerra comercial com a China, prejudicou em especial a indústria de tecnologia, “colocando em risco cadeias logísticas mundiais”. O fundo alerta para o uso de argumentos sobre segurança nacional e proteção monetária como justificativas para a expansão desse protecionismo. E duvida de mudança de sentido neste ano.

Para o FMI, o mundo chegou ao fundo do poço em 2019 quanto ao baixo crescimento do comércio e da indústria mundial. Mas as tensões dos norte-americanos com os parceiros comerciais, como Europa e China, podem colocar tudo a perder e resultar em crescimento menor que o visto nos anos anteriores.

“Uma solução duradoura para as tensões comerciais e tecnológicas continua a ser enganosa, embora haja notícias esporádicas a respeito de negociações em andamento”, afirma o material.

Exemplo de tais notícias esporádicas é o acordo comercial fechado entre Estados Unidos e China na semana passada. No caso, a China se comprometeu a comprar US$ 200 bilhões em produtos dos EUA nos próximos dois anos, inclusive US$ 50 bilhões em itens de agricultura que também são comprados do Brasil, como soja, porco e algodão. Em contrapartida, os EUA vão baixar de 15% para 7,5% as tarifas impostas sobre o equivalente a US$ 120 bilhões em produtos chineses que entram no país todo ano. O acordo também prevê o fim da exigência para que empresas de tecnologia americanas transfiram conhecimento a empresas chinesas para entrar no mercado local. Os chineses também se comprometem a respeitar propriedade intelectual e de marca, coibindo a pirataria.

O FMI alerta que o resultado do aumento do protecionismo poderá ser catastrófico. Pode gerar um efeito cascata sobre o mercado financeiro, que buscaria reduzir a exposição a riscos. Empresas que precisem emitir debêntures terão de aumentar juros, assim como títulos soberanos. Haveria retração dos gastos com maquinários, equipamentos e bens duráveis. Eventualmente, o aumento da procura do mercado financeiro por aportes mais seguros afetaria o setor de serviços. Em consequência, e então o mundo experimentaria uma desaceleração econômica mais forte.

Por fim, o FMI ressalta que para se evitar um voo de galinha em 2020, governos devem fortalecer a cooperação multilateral, ampliar a inclusão social, assegurar o funcionamento de redes de segurança social para proteção das pessoas mais vulneráveis e fortalecer a coesão social – estes dois últimos pontos, especialmente nos países em desenvolvimento.

PROJEÇÕES
Com ou sem riscos, a expectativa do FMI é que a economia mundial cresça 3,3% neste ano, ante 2,9% em 2019. Os países emergentes deverão crescer 4,4%, ante 3,7% no ano que passou. As previsões mostram, portanto, que o FMI reduziu sua expectativa, uma vez que no relatório de 2018 projetava expansão de 3% em 2019 e de 3,4% neste ano.

O Brasil, ao lado de Índia, México, Rússia e Turquia, figura entre as economias que vão crescer menos que o estimado em 2019. Em 2018, o fundo acreditava em crescimento de 1,3% do PIB brasileiro para 2019. Agora, diz que não passará de 1,2%. Em 2020, há melhora de perspectiva para o país em 0,2 p.p., para 2,2%, em função da aprovação da reforma da previdência e retomada do setor de mineração.

(Fonte: Rafael Bucco RAFAEL BUCCO ) - 20/01/2020
Startups com investimento do SoftBank já demitiram quase 10 mil funcionários

Após tropeços do Uber e do WeWork, que levaram grupo japonês ao primeiro prejuízo trimestral em 14 anos, empresas que receberam aportes estão sob pressão

Maior investidor de startups dos últimos anos e responsável por 10 cheques em empresas brasileiras em 2019, o grupo japonês SoftBank tem vivido dias difíceis. Só na semana passada, quatro nomes (Oyo, Zume, Getaround e a colombiana Rappi, que atua no Brasil) que receberam aportes da companhia de Masayoshi Son fizeram 2,6 mil demissões em suas operações no mundo todo.

Ao longo de 2019, outras 7 mil vagas foram fechadas em empresas investidas pelos asiáticos. São números que fizeram acender no mercado um sinal amarelo: será que os bilhões do SoftBank podem levar a uma nova bolha da tecnologia?

A preocupação aumenta ao se pensar no que aconteceu em 2019 com Uber e We Work, apoiadas pelos japoneses. A primeira, que abriu capital com altas expectativas, demitiu 1,5 mil pessoas e luta para dar lucro. Já a segunda cancelou seus planos de abertura de capital após prospecto a investidores mostrar falhas graves de governança corporativa. Em poucos dias, a startup teve sua avaliação reduzida de US$ 47 bilhões para US$ 8 bilhões - e precisou de socorro em torno de US$ 10 bilhões do SoftBank, levando os japoneses a ter seu primeiro prejuízo trimestral em 14 anos.

As duas empresas são as principais apostas do Vision Fund, fundo de capital de risco de US$ 100 bilhões liderado pelo SoftBank desde 2016 - e que conta também com dinheiro de Apple, Qualcomm e do fundo soberano da Arábia Saudita, entre outros. Com cheques multimilionários, o fundo já foi acusado de supervalorizar startups.

Para os especialistas ouvidos pelo Estado, porém, é cedo para dizer que o SoftBank pode fracassar - e levar o mercado de tecnologia com ele. "Muita gente fica assustada, mas não entende como funciona o capital de risco. Parte do portfólio vai dar errado mesmo", afirma Caio Ramalho, pesquisador em startups da FGV-RJ. "O papel dos fundos é ajudar as startups a encontrarem o melhor caminho - e reestruturar negócios e demitir fazem parte disso." Na semana passada, porém, a Rappi negou que as 300 demissões que fará estejam relacionadas ao momento global do SoftBank.

Segundo Pedro Waengertner, professor da ESPM e sócio da empresa de inovação Ace, não é correto analisar o desempenho do Vision Fund no curto prazo - todo fundo de capital de risco tem um prazo para dar retorno aos seus investidores. "Uber e WeWork são dois negócios principais e afetaram o resultado, mas as correções de rota são possíveis", diz. "No caso do SoftBank, é ainda mais difícil de

julgar, porque eles apostam mais alto do que a média e causaram uma revolução recente no mercado, ainda sendo difícil entender a lógica completa do jogo."

Procurado pelo Estado para comentar o assunto, o SofBank informou em nota que "continua firme na crença de que empresas baseadas em tecnologia vão revolucionar toda a economia", com investimentos gerando "alto impacto e grandes oportunidades". Segundo apurou a reportagem com fontes próximas à empresa, os japoneses tornaram mais rígido o processo de seleção para novos aportes, incluindo profunda análise sob a governança.

Mercado aberto
O que mudará, porém, é que startups deverão se preocupar menos em crescer rapidamente e mais em como dar lucro. É no que crê Brad Gastwirth, estrategista-chefe de tecnologia da corretora Wedbush Securities. "As empresas precisarão ter modelo de negócios definido quando chegarem à bolsa", diz ele. "Muita gente diz que a Amazon passou 20 anos sem dar lucro, mas ela é a exceção que confirma a
regra, não a regra em si."

Para a professora de finanças do Insper Andrea Minardi, a lição a ser aprendida neste momento é que é preciso ter cautela. "Há um ensinamento básico em finanças: caixa em excesso faz mal. Isso tira o foco, gera gastos desnecessários e é difícil recuperar a rentabilidade. O SoftBank e o mercado em geral vão se reajustar para esse novo momento", afirma ela.

O raciocínio vale, claro, para as startups brasileiras, afirma Leonardo Teixeira, sócio do fundo Iporanga Ventures, que já aportou em empresas como QueroEducação, Loggi e Olist - as duas últimas receberam aportes do SoftBank. "É importante agora crescer o mais rápido possível, mas sempre mirando a geração de caixa", diz ele, que faz a ressalva. "Startups não são imunes a erros". É algo que

está na cabeça de André Maciel, líder da operação brasileira da empresa: em evento realizado no final de 2019, ele falou com franqueza sobre investimentos feitos aqui. "Esperamos mortalidade de algumas empresas, o que é natural, mas vamos manter o ritmo de investimentos".

Para Teixeira, da Iporanga, o tropeço recente do SoftBank não deve afetar o ecossistema brasileiro, que começa a alcançar a maturidade só agora, de forma grave. "Pode haver uma correção na avaliação de mercado feita em algumas empresas, mas o Brasil tem talento humano e está num momento de expansão", afirma. Além disso, ele sente que as mostras de maturidade do cenário de startups

local nos últimos dois anos - como os dez aportes multimilionários feitos pelo SoftBank e os 11 unicórnios que o País gerou - deve incentivar mais gente a "dar o salto de fé", incluindo profissionais que já fizeram carreira em grandes empresas e agora devem abrir seus próprios negócios.

Lei dos EUA sobre distribuição de ferramentas cibernéticas é aprovada após reportagem da Reuters

Uma lei aprovada recentemente levará o Departamento de Estado dos Estados Unidos a divulgar como fiscaliza a venda de ferramentas e serviços cibernéticos no exterior.



REUTERS/Kacper Pempel
Foto: Reuters

A medida veio após a Reuters revelar que prestadores norte-americanos de serviços de inteligência ajudaram clandestinamente uma operação de espionagem nos Emirados Árabes Unidos, ajudando a monarquia do país a reprimir a dissidência interna.

A lei instrui o Departamento de Estado a reportar ao Congresso dentro de 90 dias sobre como controla a distribuição de ferramentas cibernéticas e divulgar qualquer ação que tenha sido tomada para punir empresas por violar suas políticas.

De acordo com a lei dos EUA, empresas que vendem produtos ou serviços hackers para governos estrangeiros devem primeiro obter a permissão do Departamento de Estado.

Os parlamentares dos EUA e defensores dos direitos humanos estão cada vez mais preocupados com o fato de as ferramentas hackers desenvolvidas para os serviços de espionagem dos EUA serem vendidas no exterior com pouca supervisão.

"Assim como regulamos a exportação de mísseis e armas para países estrangeiros, precisamos supervisionar adequadamente a venda de recursos cibernéticos", disse o congressista Ruppersberger, de Maryland, que redigiu a lei.

A medida vem após investigação da Reuters, disseram funcionários do congresso, que mostrou que os contratados pelos EUA administravam uma unidade hacker nos Emirados Árabes Unidos chamada Project Raven e que o Departamento de Estado deu permissão a três empresas para auxiliarem o governo dos Emirados na vigilância.

Um porta-voz do Departamento de Estado se recusou a comentar. A entidade disse anteriormente que as preocupações com direitos humanos são cuidadosamente avaliadas antes da emissão dessas licenças, mas se recusou a comentar as autorizações concedidas ao Projeto Raven.

A Embaixada dos Emirados Árabes em Washington não respondeu a um pedido de comentário. Em resposta à reportagem da Reuters, um alto funcionário dos Emirados disse no ano passado que o país tinha "capacidade cibernética" necessária para se proteger.

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O Portal da 25 foi lançado em 01 de maio de 2001, tendo como objetivo principal a divulgação de empresas e produtos comercializados na região da rua 25 de março no centro da cidade de São Paulo, focando-se principalmente em produtos voltados para área pessoal e doméstica.